domingo, 22 de novembro de 2015

A Lágrima


A Lágrima brota…

O sorriso desvanece…


(ANSR – relatório anual de 2014)

Não são números…são vidas perdidas…sonhos desfeitos!

A Lágrima

Surge da irresponsabilidade…na sua maioria do comportamento infrator.
Surge da inconsciência…do que é… e pode ser…conduzir.
Surge da irreflexão…dos utentes rodoviários.
Surge do descuido… de todos.

A Lágrima

Da irresponsabilidade… dos “lapsos” no acto da condução. Não são reflexo do desconhecimento legislativo. São reflexo de leviandade, de falta de civismo, de falta de respeito e tolerância na partilha do ambiente rodoviário. Ao fator humano é atribuída a responsabilidade em 90% dos acidentes rodoviários.

Da inconsciência… de arriscar o seu bem-estar e o dos outros. A utilização massificada do automóvel aumentou exponencialmente as relações do fator humano, a sua mobilidade rodoviária é indissociável de uma interação social baseada numa cidadania rodoviária. O ambiente rodoviário é um espaço de interação social em que os utentes rodoviários se relacionam de acordo com regras de convivência, tolerância, solidariedade e respeito mútuo.

Da irreflexão…das consequências da sinistralidade rodoviária. Dos finais nefastos para toda a vida, das vítimas de acidentes e da família, que geram uma população de pessoas limitadas na sua plenitude física e psicologia.

Do descuido…de como encaramos esta doença social. Do descuido que ensombra a sinistralidade rodoviária, a falta de mestria daqueles que têm responsabilidade no setor e nada fazem. Do descuido daqueles que para obterem a carta de condução, procuram o facilitismo, o mais barato. Do descuido de valorizarmos a Vida. Do descuido de evitar…

A Lágrima…
A segurança rodoviária tem de ser, em si, um testemunho rigoroso de comportamentos e atitudes responsáveis! Importa consciencializar que A Lágrima advém muitas vezes de escolhas e negligências que antecedem a sinistralidade rodoviária.

A Lágrima…


Paula Rosas

domingo, 15 de novembro de 2015

Dia Mundial em Memória às Vitimas de transito




Em 2005, a Organização das Nações Unidas determinou que em todo o terceiro domingo do mês de Novembro fosse celebrado o Dia Mundial em Memória às Vitimas de Transito.

A sinistralidade rodoviária transformou-se numa doença social, das principais causas de morte, internamentos, tratamentos prolongados e incapacidades permanentes.

A responsabilidade da sinistralidade recai sobre o fator humano, segundo estudos, 90% dos acidente sucedem devido a falha humana. 

Torna-se urgente uma consciencialização sobre esta doença social.

Depende de cada um de nós alterar comportamentos e possibilitarmos a partilha do ambiente rodoviário em segurança. 


Paula Rosas

sábado, 31 de outubro de 2015

O fenómeno Low Cost (baixo custo)


O fenómeno Low Cost iniciou em 1966, com a companhia Southwest Airlines que atravessava uma crise financeira e apresentava prejuízos. Rollin King para combater esta crise implementou a ligação das três principais cidades do Texas: Dallas, San António e Houston a preços que fossem acessíveis, ficando conhecida como a companhia aérea do povo. (http://www.transportes-xxi.net/taereo/investigacao/lowcost)

O “modelo económico” Low Cost tem como principal característica a redução do custo, que segundo Sérgio Bastos, responsável pelo site Low Cost Portugal, “cobra apenas o produto base, aplica taxas pelos serviços extra dispensáveis e elimina o intermediário…”. Para José Veríssimo, professor de Marketing do Instituto Superior de Economia e Gestão “as empresas têm vindo a acrescentar benefícios adicionais aos seus produtos e serviços, aumentando o custo associado a estes. Graças ao low-cost, podemos voltar atrás e prescindir desses benefícios adicionais para adquirir apenas a essência do produto…”.

Este “modelo económico” expandiu-se a muitos outros setores como por exemplo hotelaria, seguros, ginásios, automóveis… e escolas de condução!!!

Atendendo às características deste modelo, questiono:

De que forma se pode obter uma carta de condução “low cost”? Que custos, estas escolas de condução, prescindem para praticarem preços “low cost”? 


Analisemos:

Nas taxas do Imt? – Não é possível.

Nos veículos de instrução? – Não me parece. 

Nos seguros? – São obrigatórios.

Na renda, na luz, na água, nos telefones? – Bem… aqui provavelmente. Escolas a funcionarem debaixo da ponte à luz de vela, sem necessidade de água e comunicação. - Ah! Também não é possível, a legislação define as características das instalações da escola e os equipamentos.

Nos vencimentos dos “colaboradores”? – Possivelmente… o Ser Humano não necessita alimentar-se, vestir-se, ter uma habitação, ir ao café, ter férias….

Na formação dos candidatos a condutores? – Não!!! Claramente, Não…Não!... Ninguém acredita que seja na formação! Os futuros condutores não elegeriam estas escolas… ou…será que se questionam quando fazem a sua opção? 


Escolas de Condução “LOW COST”!!!

A condução de um automóvel impõe que o condutor aprenda cerca de 40 tarefas principais e que desenvolva cerca de 1 500 subtarefas relacionadas com a ação (Ellingstad 1970 in IMTT 2010: 13).

A formação nas Escolas de Condução é o alicerce para um condutor seguro. Como em toda a aprendizagem, os futuros condutores precisam de adquirir conhecimento, adotar comportamentos e aptidões, de forma a desenvolverem competências. 


Será possível aplicar “LOW COST” a “tudo”?



Paula Rosas


domingo, 25 de outubro de 2015

O silêncio do grito!



O silêncio do grito!

Todos os dias “grito em silêncio”. Grito comigo e grito com os outros.


Grito comigo

Por não entender os parâmetros que se institucionalizaram como certos!

Por não ser “normal”, para o Hoje. Não ter capacidade de entender, o que erradamente, se tornou o “tradicional”…”habitual”…”normal”. 

Por não me deixar “ir na onda”… - como seria, tão, mais fácil!! 

Por não aceitar “o facilitismo” e teimar em querer que a competência, a sabedoria, a capacidade…seja o verdadeiro. 

Grito com os outros


Por não alcançarem o meu grito.

Por não considerarem o que deve ser valorizado.

Por não afrontarem os meios de atingir os “fins”.

Por não eliminarem o “tradicional”…”habitual”…”normal”.


Grito!!!!!!!
Paula Rosas

sexta-feira, 3 de abril de 2015

O "momento"...


Indicadores de desempenho


“Os exames de condução constituem um momento onde se pretende comprovar se a formação foi eficaz.” (IMT)

Um momento… momento… decisivo de avaliação da formação. 
Avaliação do candidato a condutor, da Escola de Condução e dos seus instrutores. 
Mas, de que forma é avaliado o “momento”?

Efetivamente deveria ser o “momento” de avaliar a formação conseguida do candidato a condutor, logo a qualidade da formação praticada pela Escola de Condução. Mas, como, se o “momento”, na grande maioria das vezes, depende do rigor (ou falta dele), da isenção (ou falta dela) e do humor do examinador. 

Rigor
Rigor, sempre desejável, prendido a critérios impostos por lei, no entanto aplicado mediante a individualidade do examinador que por sua vez está procedente da “particularidade”!

Isenção
Isenção do examinador…existe(?)…sim, existe…mediante a “particularidade”!

Humor
Humor é uma capacidade humana, que no “momento”, dependente da “particularidade”!

Como é possível “comprovar se a formação foi eficaz”, se a Escola de Condução tem qualidade de formação(!) - é o que tenta demonstrar os indicadores de desempenho - quando o “momento” está dependente da “particularidade”? E as escolas de condução alheias à “particularidade”?

A divulgação do desempenho das escolas de condução é uma tentativa, do IMT, de “clarear” este setor que está submerso numa imensa e antiga escuridão. Mas, lamentavelmente, parece-me que o efeito vai ser o oposto. O querer ficar bem na fotografia e a rotina da “particularidade” aumentará decerto o indicador de desempenho de uns, que é forjado e injusto relativamente a outros. 

A formação nas escolas de condução é de extrema importância para existência de condutores seguros e responsáveis. 

No entanto, os condutores seguros e responsáveis não dependem somente da formação nas escolas de condução. O “momento” é determinante!
Deve ser avaliado com responsabilidade, rigor e isenção. Para que os condutores que são aprovados, no “momento”, sejam realmente os tão desejados condutores seguros e responsáveis e não os que beneficiam da “particularidade”. 


Não é somente o “momento”….

Paula Rosas



domingo, 22 de março de 2015

Quanto vale A Vida ao volante?




Quanto vale A Vida ao volante?


Segundo esta publicidade e muitas outras existentes a formação para a obtenção da carta de condução tem um valor de 250€ com tudo incluído que pode, conforme a descrição da publicidade, ser paga em 2xs/juros.

Não sei o que pensar?.....


Ora indignada….ora triste….ora revoltada…

Indignada
Com as escolas de condução que colocam este setor nesta banalidade de cartas de condução “low Cost”. Será possível ministrar uma boa formação “low Cost”?

Não importa as taxas obrigatórias, não importa os encargos mensais que as escolas de condução acarretam (renda, água, luz, vencimento, seguros, oficina,…), mas importa, saber se estes valores abrangem uma boa formação das aulas teóricas e das aulas práticas.

Creem em bons médicos, bons advogados, bons economistas… que tivessem adquirido o seu curso em universidades que praticassem propinas “low Cost”?

Pois bem eu acredito que tudo tem que ter um valor justo para ter qualidade!

As escolas de condução não produzem “cartas de condução”. Deveriam ter por missão prestar à sociedade um serviço responsável e educativo rodoviário de excelência, formando condutores seguros e conscientes, afinal não trabalhamos com números mas sim com A Vida.

Triste

Pela leviandade dos instruendos quando escolhem a escola de condução para a obtenção da carta de condução.

Típico do ser humano é mostrar ser/ter mais que o “outro”…melhor telemóvel…melhor computador…bons carros…roupa de marca…ténis de marca…

No entanto no que refere à carta de condução procuram o menor preço…o preço “low cost” sem se importarem qual a qualidade da formação ministrada. Ou seja, os bens materiais têm mais valor que A Vida.

- “Depois de sair da escola é que vou aprender.” – Quantas vezes já ouvimos isto? Vergonhoso (!!!) para quem tem ainda um parco de orgulho na profissão de instrutor de condução automóvel. Esta frase demonstra a insignificância que a Escola de Condução desempenha na sociedade e o respeito social que lhe é atribuído.

Revoltada

Com todas as entidades, públicas e privadas, responsáveis direta e indiretamente por este setor assistirem a toda esta trivialidade e nada fazerem ou fazerem de conta que fazem alguma coisa.

Mostram-se chocadas - muito bem - mas o que realmente é feito para travar toda esta comédia?

Enquanto brincamos ao faz de conta que estamos escandalizados com tudo isto, a sinistralidade rodoviária apresenta números “constrangedores” que refletem todo este despautério.



(ANSR, relatório da sinistralidade 2015)



De quem será a responsabilidade destas taxas de sinistralidade rodoviária?

Afinal, Quanto vale A Vida ao volante?


Paula Rosas

domingo, 14 de dezembro de 2014

O conto: “Bailar” intrujão!



O conto: “Bailar” intrujão!

Numa terra muito longínqua existia uma comunidade que tinha como principal objetivo pessoal “bailar” no Templo.

“Bailar” era o desejo da maior parte dessa comunidade. Não importava classe social, ser novo ou velho, ser homem ou mulher – somente importava atingir a maior idade e conseguir “bailar” no Templo.

Mas, “bailar” no Templo, não era tarefa fácil, existia uma prova efetuada por um Júri que aprovava ou reprovava a realização de tal desejo.

Para se preparar para tal prova, que se esperava rigorosa e imparcial, existiam escolas de bailado que preparavam as/os aspirantes a bailarinas/os e após uma formação, que se pretendia, rigorosa os submetiam a aprovação ou reprovação para a entrada no Templo.

A ansia de atingir tal desejo – “Bailar”- era desmedida, todas/os tentavam de uma forma rápida abarcar tal objetivo, não importava a formação nas escolas de bailado, não importava se estavam preparadas/os para “bailar” o que importava era a entrada no Templo o mais breve possível.

Contudo, o que fazer para que a prova de entrada no Templo fosse facilitadora(?), não tivesse o rigor desejado – as flores!!!

As flores tinham um valor desmesurado e alguém se lembrou – e se oferecêssemos flores nas escolas de bailado para nos submeterem mais rápido à realização da prova e em simultâneo se oferecêssemos flores ao Júri?

E, assim tudo ficou mais facilitado, a entrada no Templo dependia quase exclusivamente da oferta de flores, na escola de bailado e ao Júri, e quem não se dispusesse a tal oferta por melhor bailarina/o que fosse veria a sua entrada muito dificultada. Não importava a aptidão/capacidade, para “bailar”, isso deixou de ser avaliado.

O Templo ficou repleto de um “Bailar” intrujão, sem o rigor…sem harmonia…sem esplendor! As escolas, essas, ficaram repletas de flores, bem como o Júri, pareciam um grande jardim só de flores.

Todavia, o “Bailar” - ah!!!- o “Bailar” – tornou-se tão intrujão!!!!!
Paula Rosas

domingo, 16 de fevereiro de 2014

Circulação em rotunda

(carta enviada ao MAI)

Sou instrutora de condução automóvel desde 1990, como profissional deste setor e consciente da responsabilidade social que desempenho, venho expor um problema que embora o faça em nome individual, apercebo-me que é um problema generalizado entre os profissionais da condução automóvel (instrutores).

A legislação rodoviária deve, a meu entender, zelar pela partilha do ambiente rodoviário em segurança. No decorrer destes anos verifica-se, que a legislação, por vezes é ambígua e nada contribuiu para a segurança rodoviária, contrariando assim a sua missão.

Exemplo disso verifica-se na Lei 72/2013 de 3 de setembro no que refere “às rotundas”. O art. 1.º, alínea p, define rotunda como “praça formada por cruzamento ou entroncamento onde o trânsito se processa em sentido giratório e sinalizada como tal”, esta definição não comtempla as características exigíveis para “rotunda””. O art. 14.º-A  “esclarece” a forma como se deve transitar nas “rotundas”:

”1 — Nas rotundas, o condutor deve adotar o seguinte comportamento:
a) Entrar na rotunda após ceder a passagem aos veículos que nela circulam, qualquer que seja a via por onde o façam;
b) Se pretender sair da rotunda na primeira via de saída, deve ocupar a via da direita;
c) Se pretender sair da rotunda por qualquer das outras vias de saída, só deve ocupar a via de trânsito mais à direita após passar a via de saída imediatamente anterior àquela por onde pretende sair, aproximando -se progressivamente desta e mudando de via depois de tomadas as devidas precauções;
d) Sem prejuízo do disposto nas alíneas anteriores, os condutores devem utilizar a via de trânsito mais conveniente ao seu destino;
2 — Os condutores de veículos de tração animal ou de animais, de velocípedes e de automóveis pesados, podem ocupar a via de trânsito mais à direita, sem prejuízo do dever de facultar a saída aos condutores que circulem nos termos da alínea c) do n.º 1.
3 — Quem infringir o disposto nas alíneas b), c) e d) do n.º 1 e no n.º 2 é sancionado com coima de € 60 a € 300.“

Ora vejamos, se as “rotundas” não têm, todas, as mesmas características, ou seja, tamanho, número de vias de acesso à rotunda e da própria rotunda, distância entre saídas e entradas, …como é possível contorná-las da forma como refere o art. 14.º-A?  

Uma tarefa muito árdua para os condutores no que refere ao cumprimento deste artigo (14.º-A). Porque ao depararmo-nos com algumas “rotundas” é de todo impossível respeitar este artigo, já que na verdade temos “grandes rotundas”, “médias rotundas”, “pequenas rotundas”, “pequeníssimas rotundas”, “pneus rotundas”….. e, vamos comportar-nos de igual forma em todas elas? Será possível?

Em relação aos exames, temos mais um “desajuste” em que cada examinador dá a indicação através de “um gosto pessoal”, ou seja, uns indicam com a devida antecedência a saída que pretendem, outros indicam somente ao entrar na rotunda, exigindo dentro da rotunda a troca de via, independentemente do acesso da rotunda ter uma ou duas vias de trânsito…não está fácil! E embora os examinadores mencionem avaliar com “bom senso” na verdade é que fazem advertências ao candidato a condutor, mediante a “indicação a gosto”, que condiciona o desempenho no exame.

No meu humilde entender, este problema pode minorar se forem definidas as características que devem ser observadas para ser uma “rotunda”, o restante, que não cumpra essas características, seria sinalizado com o sinal D3a “contornar placa ou obstáculo”. Estou consciente que a legislação rodoviária não consegue abranger cada especificidade do ambiente rodoviário, mas no que diz respeito a este problema “rotunda” algo pode ser feito para atenuar os “desajuste” que se presenciam na partilha do ambiente rodoviário.


Paula Rosas